De São Paulo, o jovem cujo portfólio acumula trabalhos para Approve, Gammba, Misci, e Osklen, já no internacional Cartier e Versace são algumas das casas a quem empresta seus talentos, na SPFW é rosto certo, e abaixo uma entrevista exclusiva com o modelo:
*Josias, como se deu seu início na moda?
Meu início na moda aconteceu em 2016 através da DAF Models. Meu sonho sempre foi ser jogador de futebol, então a moda apareceu de uma forma muito inesperada na minha vida. A DAF acabou me descobrindo pelo Facebook e abriu muitas portas pra mim nesse começo. Eles acreditaram muito no meu potencial desde o início, e junto com o apoio da minha família foram fundamentais para as coisas darem certo e para eu conseguir construir minha trajetória dentro da moda.
*Lá no seu período de New Face, quais foram as maiores barreiras que tu teve que romper?
Quando eu comecei, uma das maiores barreiras foi ficar longe de casa e aprender sobre essa nova profissão. Quando a gente começa a se profissionalizar mais, percebe que a moda é muito mais difícil do que parece. Existe muita pressão, muita cobrança e um processo constante de aprendizado.
Além disso, também precisei trabalhar muito a timidez e a autoconfiança, que talvez tenham sido as partes mais difíceis no início. Mas ao mesmo tempo, isso também foi algo muito positivo que a moda trouxe pra minha vida, porque acabou agregando muito no meu valor pessoal e no meu amadurecimento, tanto profissional quanto como pessoa.
*Falando sobre barreiras, houve algum tabu que tu pudesse ter e que se dissolveu durante suas vivências? Se sim, quais e como lidou?
Falando sobre tabu e barreiras, acho que o que eu mais aprendi foi respeitar a realidade do próximo. Tive a oportunidade de morar tanto na Ásia quanto na África, e isso foi uma experiência muito enriquecedora pra mim. Conhecer novas culturas, conviver com pessoas diferentes e entender outras formas de viver acabou abrindo muito a minha mente.
Aprendi a respeitar ainda mais as individualidades e compreender que cada pessoa carrega uma história, uma cultura e uma realidade diferente. Isso foi algo que me transformou muito, não só profissionalmente, mas principalmente como ser humano.
*Acredito que tu pegou momentos diferentes na internet e mudanças do mercado diante do digital; como foi essa vivência pra tu? Como tu acompanhou esse movimento?
Dentro desses 10 anos que eu trabalho com moda, acredito que existe um lado muito positivo e também um lado negativo de toda essa inovação tecnológica e do crescimento da internet dentro do mercado.
Ao mesmo tempo que as redes sociais ajudam pessoas muito promissoras a serem descobertas em qualquer lugar do Brasil e do mundo, também existe um lado onde, muitas vezes, pessoas acabam ocupando espaços apenas por já serem famosas, enquanto novos talentos ainda encontram dificuldade para ter oportunidades.
Mas acredito que a internet também democratizou muito o acesso e deu visibilidade para pessoas que talvez nunca fossem alcançadas antigamente. Então vejo essa transformação com os dois lados, tentando sempre entender como usar isso de uma forma positiva na minha trajetória.
*Essa evolução midiática tem sido positiva ou negativa ao seu ver? Como é sua relação com as mídias?
Como eu disse, acredito que existem os prós e os contras dessa evolução midiática. Fico muito feliz por hoje muitas pessoas conseguirem acompanhar o meu trabalho e conhecer mais da minha trajetória através da internet. Isso aproxima muito mais o público da nossa realidade e também cria oportunidades importantes.
Mas ao mesmo tempo também existe um lado negativo, porque muitas vezes pessoas acabam ocupando espaços apenas por já serem famosas, enquanto profissionais que realmente vivem e trabalham a moda diariamente precisam lutar ainda mais pelo seu espaço. Mesmo assim, tento manter uma relação equilibrada com as mídias e usar isso da melhor forma possível dentro da minha carreira.
*Estar em exposição tem sido de utilidade para modelos e profissionais de moda/artes, uma vez que podem usar sua voz para levantar causas; tu ergue alguma bandeira? Se considera ativista de alguma causa?
Eu acho muito interessante como a internet deu essa possibilidade das pessoas levantarem suas bandeiras e mostrarem a própria voz. Hoje existe um alcance muito maior, e isso acaba ajudando muitas causas importantes a terem mais visibilidade.
Mas ao mesmo tempo também vejo muita incoerência, com pessoas pregando coisas que muitas vezes não vivem na prática. Acho que essa é a parte negativa. Mesmo assim, fico feliz que muita gente conseguiu encontrar uma voz forte através da internet e usar isso de uma forma positiva para inspirar e ajudar outras pessoas.
*Falando sobre seus trabalhos, tu diria que algum em específico te catapultou e o fez ascender?
Sou muito grato por todas as oportunidades que tive ao longo da minha trajetória, porque cada trabalho teve sua importância no meu crescimento profissional e pessoal. Mas acredito que o trabalho da Bazaar em parceria com a Chanel foi realmente um divisor de águas pra mim.
Foi um momento muito especial da minha carreira e que trouxe uma visibilidade muito grande para o meu trabalho, além de marcar uma virada importante na forma como o mercado passou a me enxergar.
*Dentre suas experiências em outros países, qual a cultura mais intrigante? Alguma lhe chamou a atenção no seguimento fashion?
Não tem como a resposta não ser Milão. A cidade literalmente respira moda. Para a nossa carreira, eu acredito que não exista outro lugar que culturalmente inspire tanto quanto lá. É um ambiente onde tudo gira em torno da moda, da arte e da criatividade, então acaba sendo impossível não se sentir inspirado.
Eu costumo brincar que Milão é a Champions League dos modelos. É um lugar pelo qual sou extremamente apaixonado e onde já tive a oportunidade de estar algumas vezes. E sempre que eu tiver a chance de voltar, eu vou querer ir. É uma cidade que realmente marcou muito a minha trajetória.
*Tu sente alguma diferença entre trabalhos nacionais e os internacionais? Se sim, qual?
Na verdade, eu não vejo uma diferença tão grande em relação à qualidade dos trabalhos. O Brasil tem profissionais extremamente talentosos e produções incríveis, algumas até melhores do que muitas coisas que vemos na Europa.
Acho que a maior diferença acaba sendo o apoio financeiro e o investimento que existe lá fora. O mercado internacional muitas vezes tem uma estrutura maior nesse sentido. Mas em criatividade, talento e potência artística, o Brasil tem muita gente incrível e um mercado muito forte também.
*Gosto de acreditar que a moda é mais que beleza e closes; o que a moda é para Josias?
Com certeza hoje a moda é muito mais do que beleza e closes. Tanto que o que realmente diferencia nós modelos, porque bonitos e altos existem muitos, é a nossa personalidade. Acho que quando as pessoas enxergam quem você realmente é, sua verdade e sua essência, tudo acontece de uma forma mais natural.
Quando você trabalha com aquilo que realmente gosta e entende que não está ali só por brincadeira, as coisas fluem melhor. A moda, pra mim, também é sobre expressão, identidade e conexão com as pessoas.
*Há algo que ela tenha lhe acrescentado num cunho social?
A moda me abriu portas para muitos meios sociais diferentes e também para conhecer muitas culturas diferentes, e sou muito grato a isso. Através da moda tive a oportunidade de criar amizades, conhecer pessoas incríveis e colocar os pés em ambientes que talvez eu nunca imaginasse viver.
Tudo isso acabou acrescentando muito na minha visão de mundo e na forma como eu me relaciono com as pessoas. Acho que a moda me trouxe não só crescimento profissional, mas também muito crescimento humano e social.
*Uma curiosidade sobre tu, fora dos flashes?
Uma das partes mais difíceis de morar fora trabalhando como modelo é ficar longe da minha família. Sou extremamente apegado a eles, então essa distância acaba sendo um preço alto que a profissão cobra às vezes.
Mas ao mesmo tempo eu sou realmente apaixonado pela moda. Tanto que, na maioria das vezes, quando vejo uma foto, eu consigo até identificar qual fotógrafo fez aquele trabalho. Acho que isso mostra o quanto eu gosto e vivo esse universo no dia a dia. No fim, mesmo com os desafios, eu tenho a felicidade de fazer o que realmente amo.
*Por fim, me conta se tem algum trabalho que ainda não realizou, que deseja e por quê?
Acredito que ainda existem muitos trabalhos que sonho em realizar, mas um deles, sem dúvida, é trabalhar com a Dolce & Gabbana. Já bati na trave algumas vezes com eles e sinto que existe uma ligação muito forte ali.
Quem sabe o futuro não reserva esse encontro no momento certo? Acho que seria um trabalho muito especial pra minha trajetória e algo que eu gostaria muito de viver dentro da moda.